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Ivone

 

Nasci em Moçambique em 1962. Tive uma infância feliz, despreocupada e inocente. Em 1975 deu-se a descolonização e as coisas começaram a muda. Depois da euforia da independência, vivi a falta de comida e o começo da guerra civil.

Em Março de 1980 cheguei a Lisboa. Apesar dos portugueses terem televisão, coisa que nós ainda não tinhamos, nós eramos mais abertos e tinhamos mais contactos com outros povos e culturas. Foi difícil a mudança, mas acabei por integrar-me, criar raízes e fazer amigos.

Em 1988 emigrei pela segunda vez desta vez para a Holanda. Não vim para cá por razões económicas ou políticas, mas porque conheci um holandês que me fascinou. Dizem que o amor vence todas as dificuldades. No entanto, no meu caso isso não aconteceu. Tenho lutado contra o frio, chuva e o mais difícil ainda é lutar para manter a minha identidade e saúde mental.

No fundo sinto que o meu território se foi afunilando e o espaço que eu tinha também. Moçambique é 22 vezes maior que a Holanda e 13 vezes maior que Portugal. À medida que caminhei para norte o frio aumentou e a distância  humana tornou-se maior. O frio não promove diálogo e a abertura. Tive que apreender uma nova língua, a lidar com outros usos, costumes e regras sociais. Tive que fazer um trabalho de introspecção para socializar-me, aceitar-me e manter os meus valores e ideais.

Apreendi que temos que ter capacidade para aceitar as dificuldades , encaixar as fustrações e continuar a lutar. A vida é bela e frágil.

Considero-me rica por conhecer o norte, o sul e ainda ter uma costela indiana.

Apreendi também que juntos podemos defendermos-nos dos males da vida e que é importante ser-se solidário.